Com investimentos de R$ 70 bi em dez anos, energias renováveis têm novos protagonistas – Safira Energia

Com investimentos de R$ 70 bi em dez anos, energias renováveis têm novos protagonistas

Preocupação ambiental e queda nos custos acirra disputa entre gigantes e novatas na geração solar, eólica e de outras fontes limpas.

RIO – O avanço das fontes renováveis no Brasil tem acirrado a disputa entre
novatos e gigantes do setor de energia. Apesar da pandemia, que levou a uma
queda no consumo de eletricidade neste ano, projetos solares, eólicos e de
biomassa entraram de vez na agenda de investimentos das companhias, já de
olho em um aumento futuro da demanda.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o segmento vai receber
investimentos de R$ 50 bilhões a R$ 70 bilhões com a criação de parques
renováveis próximos aos grandes centros de consumo nos próximos dez anos.

A maior preocupação com a agenda ambiental, a instabilidade dos preços da
conta de luz e a queda de até 60% nos custos das energias solar e eólica desde
2015 impulsionam novos projetos.

Essa junção de fatores injeta ânimo em um novo perfil de empresa que se
consolida no setor. O Grupo Gera, criado em 2016, já tem oito usinas com
capacidade de geração de 10 megawatts.

E agora planeja investir R$ 200 milhões para ampliar sua capacidade para 55
megawatts até o fim de 2021. Um megawatt atende cerca de 300 casas, estimam
especialistas. Na carteira da Gera há clientes como Vivo, Lojas Americanas e — Há projetos em todo o Brasil. Também temos planos na energia eólica. A pandemia reduziu o consumo, mas já está normalizando, e as empresas buscam
mais eficiência. 

Alta para o verão


A francesa GreenYellow também só cresce desde que iniciou suas atividades no
Brasil, em 2014. Com usinas entre o Paraná e o Piauí, a meta da empresa, com
clientes como Magalu, Oi e Claro, é ampliar sua capacidade de 30 megawatts
para 130 megawatts até 2022 e levantar R$ 500 milhões em investimentos,
como usinas solares no Estado do Rio.

— O pior lugar do Brasil é o melhor da Alemanha em geração solar. O setor
cresce com projetos em diferentes tamanhos, desde usinas até telhados solares
— disse Pierre Yves Mourgue, diretor-presidente da empresa.

Segundo Guilherme Susteras, presidente da Sun Mobi, o consumo já está
reagindo com a abertura da economia. Ele ressalta a expectativa positiva para o
verão, por causa do home office. 

— A demanda por projetos eficientes é crescente porque a tarifa elétrica no
Brasil sofre com a instabilidade. Este ano não sobe porque teve a Covid.


“A energia renovável está cada vez mais competitiva. Há muito potencial no Brasil, e o crescimento vai depender do aumento da
demanda”
ROBERTA BONOMI
Responsável pela Enel Green Power

A consultoria Safira acaba de colocar sua primeira usina solar, em Minas Gerais, em operação. A meta é investir R$ 300 milhões e aumentar o parque solar em dez vezes, em dois anos, para atender pessoas físicas.
— A energia produzida pelas usinas solares é injetada na rede elétrica da concessionária, gerando créditos que viram descontos na conta dos clientes — explica Mikio Kawai, diretor da Safira.

Lucas Araripe, presidente da Casa dos Ventos, destaca o avanço da venda de Ele cita como exemplos os casos da Anglo American e da Vulcabras, que já
compraram a energia de projetos que só ficarão prontos em 2023:

— Temos em carteira um volume de projetos renováveis que soma dez vezes o que temos hoje.

Já o Grupo Enel tem em construção no Piauí um parque solar e eólico que,
quando pronto, será conectado ao Sistema Interligado Nacional, que reúne empresas de produção e transmissão de energia elétrica no país.

Além disso, a companhia amplia a construção de projetos menores para atender empresas. A Enel Green Power é a maior geradora de energia solar e eólica do país, com cerca de 845 MW de capacidade instalada de solar em operação.

— A energia renovável está cada vez mais competitiva. Há muito potencial no
Brasil, e o crescimento vai depender do aumento da demanda. Não faz mais
sentido construir termoelétricas — diz Roberta Bonomi, responsável pela Enel
Green Power no Brasil.

Caminho semelhante é feito pela europeia EDP Renováveis, que investe em
diversos projetos. Com capacidade de 330 megawatts, a empresa vai

— Será um salto enorme. Claro que, com a pandemia, as empresas gastam mais
tempo analisando os projetos. Mas a tendência é de crescimento, e os preços
menores vistos nos últimos anos são algo muito positivo — comentou Duarte
Bello, diretor de Operação para Europa e Brasil da empresa.

Um exemplo é a parceria da companhia de shoppings Multiplan com a EDP. Um
complexo solar abastece 100% do Village Mall, na Zona Oeste do Rio, o que
permitiu a redução de 49% no custo de energia em um ano, uma economia de
R$ 5,9 milhões.


Caminho sem volta

Para Thiago Barral, presidente da EPE, as fontes renováveis serão o carro-chefe da próxima década, com o avanço de projetos de diferentes portes no ambiente regulado e no mercado livre, influenciado pela redução dos preços:

— As fontes renováveis têm um papel de complementar o nosso sistema, em
paralelo com as hidrelétricas e as térmicas a gás, que, com o seu barateamento, tendem a ter maior uso no setor industrial.

A Voltalia planeja investir R$ 2,5 bilhões até 2023, aumentando sua capacidade
eólica de 600 megawatts para 1,6 gigawatts em 2022. Robert Klein, presidente
da empresa, destaca a necessidade de criação de usinas híbridas, com solar e O setor atrai inclusive o segmento financeiro. A corretora XP investe em energia renováveis há dois anos. Já são três fundos com participação em usinas eólicas esolares e mais de  R$ 275 milhões aplicados.

 

Fonte: https://oglobo.globo.com/economia/energia-renovavel-atrai-novatas-deve-receber-70-bi-em-investimentos-em-dez-anos-24711138

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