Vácuo de novos projetos de geração entre 2020 e 2022 preocupa mercado

28/09/18

Setor obteve resultados positivos nos leilões de todos os segmentos em 2018, mas consequências de baixa contratação em anos anteriores causa incerteza para fabricantes de componentes

O vácuo de novos empreendimentos de geração, entre 2020 e 2022, preocupa a indústria, apesar do sucesso dos leilões de energia realizados em 2018. Certames também atraíram investimentos para os segmentos de transmissão e distribuição. “Os leilões de geração tiveram bons resultados, mas ainda não resolvem os problemas da indústria. Por reflexo da crise, há uma perspectiva de baixa entrega nos próximos anos”, aponta diretor da Excelência Energética, Erik Eduardo Rego. Ele destaca que em 2016 e em parte de 2017 houve baixo volume de contratação nos leilões de energia nova. “Vão entrar projetos de energia solar e pequenas centrais hidrelétricas, mas pouco volume, e uma total ausência de energia eólica. ” Para o especialista, a preocupação maior não é com o fornecimento, mas com a atividade da indústria. “Devido à crise e à redução do consumo, a demanda teria que subir muito acima do esperado para ocorrer falta de abastecimento. O problema maior é a desmobilização da indústria, a falta de atividade causar perda de competitividade e de inteligência técnica”, explica Rego.

Para o consultor de negócios sênior da Safira, Josué Ferreira, há um impacto para os fabricantes de componentes. “Para o produtor das hélices e torres eólicas, por exemplo, é uma defasagem. Dificulta a expansão ou maiores ganhos. Impacta de forma direta, talvez até nas próprias margens. ” Em relação aos resultados de 2018, Ferreira avalia os leilões positivamente, levando em conta o atual cenário. “Considerando que houve um crescimento moderado na carga e também o momento confuso na economia e política, o ano foi bom. ”

Em 2018, ocorreram dois grandes leilões de energia nova: o A-4 (referente a usinas que entram em operação comercial em até quatro anos), que somou R$ 6,74 bilhões em contratos, equivalentes a um montante de 54.094.749,6/MWh de energia, e o A-6 (em até seis anos), que totalizou R$ 23,6 bilhões em contratos, equivalentes ao montante de 168.033.684/MWh de energia. “Os dois leilões tiveram bons resultados, com destaque para a energia solar. Essa fonte reduziu seus custos e tornou-se bem competitiva em relação a leilões passados”, diz Ferreira.

Já diretor da Excelência Energética destaca negativamente o desempenho das usinas hidrelétricas. “Não houve nenhum grande projeto, mesmo sem reservatório. A constatação é de que o setor tem de estar preparado para um crescimento sem essa fonte. ”
Transmissão e Distribuição

Os especialistas consideram como bem-sucedido o leilão de transmissão, realizado em junho. “Foi bem competitivo. Foram 20 lotes e todos tiveram lance”, afirma Ferreira. Na ocasião, o certame conferiu às empresas vencedoras o arremate de 2.562 km de linhas de transmissão e de 12.226 mega-volt-amperes (MVA) de potência de subestações. Na última sexta-feira (21), foram assinados os contratos de concessões das linhas. “Ficou aqui evidenciado o extraordinário interesse de empresas pelos lotes leiloados. Obtivemos o maior deságio em vinte anos, o que significa tarifas mais baratas com regras previsíveis e racionais”, declarou o presidente Michel Temer, durante o evento. Existe previsão para mais um leilão de transmissão em dezembro. “A expectativa é boa, embora tenha lotes mais complexos. A atratividade deve ser alta”, acredita Ferreira.

Já no segmento distribuição, a Eletrobras conseguiu leiloar quatro das seis empresas deficitárias que operam no Norte e Nordeste do País. “Só houve interesse de um empreendedor por distribuidora, cada um olhando para a sinergia de seus próprios negócios. O interessante é que nenhum ativo deixou de ser vendido”, afirma a diretora da Thymos Energia, Thais Prandini.

Rego vê de maneira semelhante. “Havia medo de que não houvesse nenhum interessado. Com a privatização, há perspectiva de melhora de qualidade do serviço. ” Foram vendidas as empresas responsáveis pelo serviço de distribuição nos estados do Piauí, Acre, Rondônia e Roraima. O leilão da Amazonas Distribuição, que estava marcado para ocorrer em 26 de setembro, foi adiado para 25 de outubro. Já a venda da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), segue suspensa em virtude de uma decisão judicial.

Fonte: DCI

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