Privatização da Eletrobras pode elevar tarifa em 1,6%

23/07/18

Empresa faz simulação para identificar possível impacto tarifário a ser gerado pela descotização das usinas da estatal sobre os preços ao consumidor

O aumento de preço para o consumidor residencial gerado pela privatização das usinas hidrelétricas da Eletrobras deverá se situar entre 1% e 1,6%, segundo um estudo realizado pela consultoria e comercializadora Safira Energia. A empresa fez uma simulação para identificar o possível impacto tarifário a ser gerado pela descotização das usinas da estatal sobre os preços ao consumidor, em função da retirada de sua energia do portfólio de contratos das distribuidoras.

Atualmente, a energia das usinas da Eletrobras está contratada pelas empresas de distribuição sob o regime de cotas, e, com o processo de privatização, essa energia deverá ser retirada dos portfólios das 24 distribuidoras de todas as regiões do país (que totalizam cerca de 86% do mercado faturado para o segmento residencial).

“A princípio, identificamos que quando você tira as cotas e coloca uma energia substituta, o primeiro efeito que você tem, se o preço da substituta for maior do que R$ 63/MWh, é o impacto na tarifa”, analisa Josué Ferreira, consultor de negócios sênior da Safira. Ainda de acordo com Ferreira, o estudo considerou um preço de reposição próximo ao praticado no último leilão de energia nova, de R$ 120/MWh.

Benefícios

Além da análise do impacto direto na tarifa, a Safira fez o cálculo de qual seria o benefício para a sociedade da possível privatização das usinas da estatal. O cálculo foi realizado com base no possível montante a ser arrecadado com a venda das usinas da empresa, que totalizam 7,6 GW médios deenergia.

A consultoria considerou o valor pago pela usina de São Simão, negociada em setembro do ano passado com a chinesa SPIC, que arrematou a hidrelétrica por R$ 7,180 bilhões. A usina possui 1.710 MW de capacidade instalada.

“Analisamos o seguinte: se São Simão, com 1,2 GW de garantia física, arrecadou R$ 7 bilhões de pagamento pela outorga, usando a mesma relação, então faz sentido a gente imaginar algo em torno de R$ 45 bilhões com 7.6 GW. Estamos falando de um quinto do mercado regulado, estamos falando de muitas usinas, grandes usinas”, explica Ferreira.

Desse total, analisa o estudo, um terço seria destinado para a CDE, de acordo com proposta em andamento no Congresso, e dois terços para a União. Considerando que o valor recebido pela União (R$ 30 bilhões) seja um fator de abatimento dos juros da dívida pública, o cidadão teria como benefício tanto a redução da tarifa quanto a desoneração tributária.

“Nós queremos dizer que eventual descotização e privatização dessas usinas da Eletrobras pode gerar sim um aumento de 1,5% na tarifa, mas por outro lado ele pode gerar um beneficio líquido para o consumidor. Nossa visão é que isso mostra que a despeito de eventual aumento na tarifa, que a gente identifica como não tão grande, existe uma tendência de termos benefícios com o bônus que excedem esse custo, além dos custos operacionais, que com agentes privados você pode ter melhorias operacionais nas usinas, e outros fatores”, avalia Ferreira.

Na visão do consultor da Safira as usinas apresentam atrativos que podem incentivar a procura pelos investidores. “Nós temos grandes players que olham o setor elétrico de uma forma diferenciada. São ativos que já estão construídos, em operação. Precisa operar e precisa realizar alguns investimentos necessários para que elas se mantenham eficientes. Há muita gordura para ser explorada nessas usinas e existe uma atratividade nesses ativos”, conclui Josué Ferreira.

Fonte: Brasil Energia.

Deixe aqui o seu comentário