Plantas de 5 MW incentivam entrada de investidores

30/08/18

O potencial de negócios em geração distribuída pode chegar a R$ 10 bilhões nos próximos quatro anos. A previsão é do diretor de Energia Distribuída da Siemens no Brasil, Guilherme Mattos. Segundo ele, fatores como a possibilidade de instalação de plantas remotas com limite de 5 MW incentiva a entrada de novos investidores no setor. “Projetos de geração distribuída são de fundos de private equity, family offices e outros investidores querendo alocar capital em um negócio de rentabilidade bastante atrativa neste novo cenário econômico”, diz Mattos. A opinião é compartilhada pelo responsável de soluções B2B da Enel X, Rafael Coelho. Para ele, o país apresenta condições favoráveis para o desenvolvimento do setor, pela forte irradiação solar no território.

Com base nas regras da Resolução Normativa 482/2012, a Enel X instalou uma usina solar com 1.800 placas fotovoltaicas e potência de 500 kW na sede do Mercado Livre, em Osasco, na Grande São Paulo. A energia solar gerada é instantaneamente consumida pelo Mercado Livre, gerando uma economia de 20% na conta de luz. O excedente será injetado na rede elétrica e devolvido em créditos de energia, que podem ser utilizados em até cinco anos.

No Rio de Janeiro, a CPFL Eficiência fechou um contrato de R$ 13 milhões para um projeto de geração distribuída com o Mercado Municipal do Rio de Janeiro. O projeto, que prevê a instalação de placas solares e uma usina de cogeração a gás natural, deve entrar em operação no início de 2019 e vai garantir maior segurança no fornecimento de energia para os comerciantes. A economia mensal na conta de luz é de cerca de R$ 140 mil. “Além da economia, há independência no fornecimento e sustentabilidade de energia”, diz a diretora de inteligência de mercado da CPFL Energia, Fabiana Avellar.

“Há muitos fatores que conjugaram para o aumento expressivo da geração distribuída, como a escalada tarifária no mercado cativo, avanço da tecnologia solar e redução gradual dos investimentos iniciais”, afirma o consultor de negócios da Safira Energia, Josué Ferreira, sobre o crescimento anual do mercado de autoprodução.

A Safira montou um modelo de geração distribuída para uma rede varejista do interior de São Paulo que permite uma economia de 12,5% na conta de energia das três mil lojas da rede, equivalente a R$ 2,5 milhões ao ano. “As mudanças regulatórias esperadas para o próximo ano, incluindo a precificação horária de energia, devem aumentar os benefícios econômicos da autoprodução, principalmente nos parques solares”, diz Ferreira.

Um dos entraves para a expansão da autoprodução são os investimentos iniciais para a construção do parque de geração de energia: R$ 4 milhões para cada megawatt (mW) de potência instalada. Para atrair clientes, a AES Tietê oferece um modelo em que esse investimento inicial fica a cargo da companhia. “O cliente ganha em competitividade, valor para a sua marca e mantém foco no seu negócio”, afirma o diretor de relacionamento com o cliente da AES Tietê, Rogério Jorge.

Fonte: Valor Econômico

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