Observatório Safira: PMO

03/09/19

Pontos de destaque do Programa Mensal de Operação de setembro de 2019:
Em agosto tivemos o avanço de cinco frentes frias pelo litoral e interior do Brasil. No entanto, essas frentes não causaram volume de chuva suficiente para atingir a média histórica do mês. Desse modo, agosto deve fechar registrando anomalias negativas de precipitação.
Os avanços dessas frentes frias até o Nordeste, em um primeiro momento, desfavoreceram a geração eólica, no entanto, com a diminuição das frentes houve aumento da intensidade dos ventos na região e uma geração eólica recorde, atingindo os 9.549 MW de potência gerada. Esse bom cenário da geração eólica possibilitou ao Nordeste exportar maior montante de energia.
Conforme o comportamento sazonal dos ventos no Nordeste, a expectativa para setembro é de que a geração eólica continue alta. Quanto ao regime de chuvas, entretanto, registrou-se o 4º pior cenário de seca na região.
No Sul foram registradas anomalias de temperaturas mínimas abaixo da média em função da incidência das frentes. Mesmo havendo precipitação nessa região, os volumes não foram suficientes para atingir a média histórica na maior parte das bacias. Apenas a bacia do Jacuí registrou volumes pluviométricos acima da MLT.
Com esse cenário de chuvas abaixo da média, a geração hidrelétrica da região Sul vem caindo desde o mês passado e a expectativa é de que essa política de redução de geração hidráulica se mantenha para preservar os reservatórios da região.
A incidência das frentes frias trouxe temperaturas mais amenas no mês de agosto, cuja previsão inicial era de temperaturas mais elevadas. Isso impactou diretamente na carga que foi reajustada para baixo.
No Sudeste, a operação penalizou o armazenamento das UHEs de cabeceiras de toda a bacia do Paraná, visando manter a navegabilidade da hidrovia Paraná-Tietê.
Na região Norte, a tendência é de um período mais seco para a bacia do Xingu. Este cenário impactará Belo Monte, que deverá ter sua geração reduzida ou até mesmo interrompida para atender a defluência mínima do trecho de Pimental.
A bacia do Tocantins também passa por um período de redução das vazões, e em Tucuruí foram registradas afluências de 70% da média histórica. Quanto a curva de Tucuruí, a lenta queda registrada nas primeiras semanas do mês foi atribuída a alta geração de energia eólica do Nordeste e à geração de Belo Monte. No entanto, a tendência é de que agora os valores transitem próximos da curva, com uma exploração maior do reservatório de Tucuruí.
Para setembro a previsão de chuva segue baixa, o que é típico para esse período do ano. Além disso estamos em uma fase neutra de El Niño, na qual não há nenhuma forçante que indique tendências de aquecimento ou resfriamento do oceano, logo também não são esperados os efeitos desse fenômeno no regime de chuvas do mês.

Deixe aqui o seu comentário