Observatório safira: PMO

08/11/19

Pontos de destaque do Programa Mensal de Operação de novembro de 2019:

As vazões de outubro não apresentaram evolução relevante, por conta da falta de continuidade das chuvas durante o mês. Diante disso o realizado na região Sudeste foi o terceiro pior outubro do histórico de vazões. O Nordeste também não apresentou boas condições e o mês deve ser o segundo pior do histórico.

A condição do Sistema, mesmo com a irregularidade das chuvas, é melhor do que a do mesmo período do ano passado, no Sudeste os reservatórios estão 3% acima, com destaque para a bacia do Grande que apresenta condição de 6% a mais de armazenamento.

A região Sul deve apresentar anomalia de precipitação acima da média em outubro, principalmente devido as chuvas da segunda quinzena. Por esse comportamento, a região continua sendo importadora de energia, diferente do ano passado que nos meses de setembro, outubro e novembro a região era exportadora. Essa tendência de importador de energia somente deve se alterar se houver resposta na chuva na região.

O desempenho da geração eólica no Nordeste afetou o balanço energético do SIN no mês de outubro. Por sazonalidade, a geração dessa fonte já reduz em outubro e a média diária que no começo do mês estava em 7.000MWmed chegou a observar média diária de 2.000MWmed. Diante disso, houve dia em que o Nordeste foi importador de energia ao invés de enviar para o SIN como estava acontecendo. A expectativa é de redução da fonte eólica no Nordeste chegando no menor desempenho no primeiro trimestre do ano.

Por consequência do desempenho da geração eólica no Nordeste, o balanço da região Norte foi afetado. Desde o meio do ano com a utilização da curva de regência de deplecionamento da usina de Tucuruí o reservatório da usina ficou acima dessa curva e no PMO anterior foi informado que a distância era em torno de 3%. Com a redução da geração eólica no Nordeste, a usina de Tucuruí foi utilizada para fazer o balanço da região Nordeste, dessa forma, pela primeira vez nesse ano, o armazenamento da usina está abaixo da curva de referência.

Como informado no PMO anterior, o Operador em conjunto com agentes e a ANA, estão estudando sobre as defluências da bacia do São Francisco. O cenário atual, mesmo com a irregularidade da chuva nesse começo de período úmido, apresenta armazenamento da região melhor do que os anos anteriores. Diante disso, a partir desse mês o Operador irá operar a bacia através do recurso de modulação da geração hidráulica.

A operação prevista para o mês de novembro é diferente da ocorrida em outubro, por conta da redução da geração eólica no Nordeste, essa região deve ser importadora de energia sendo auxiliado pela região Norte. O Sul continua importador de energia, mas devido à chuva dos últimos dias, a região deve importar menos energia do que o mês de outubro, mas deve manter recebedor de energia. O Sudeste segue fazendo o fechamento do balanço energético do Sistema Interligado.

Em relação ao Oceano Pacífico de setembro para outubro ocorreu aquecimento na parte central do oceano e nenhuma anomalia indica tendência de algum fenômeno, segue na neutralidade e a expectativa é continuar dessa forma até o final do ano. Diante disso, permanece sem forçante significativa no Pacífico dificultando a previsão de chuva. Para o próximo trimestre é esperado maior probabilidade de chuva perto da normal ou acima da média para a região Sul, já para o Nordeste a precipitação deve ser em torno da média ou abaixo da normal.

O destaque da equipe de meteorologia foi a volta gradativa da chuva na região Sul nos últimos 10 dias, mas ainda sem acumulado suficiente para ficar acima da média, pois as chuvas estão ocorrendo mais ao sul da região. Outro destaque são as chuvas ocorridas na Amazônia, indicando o início do período chuvoso no país. O período úmido está atrasado, mas esses destaques sinalizam que os sistemas de transição estão acontecendo desde a primeira quinzena de outubro.

A limitação na linha Norte-Sul que estava no modelo desde agosto devido a manutenção de capacitores na linha está prevista para terminar nesse final de semana e por isso houve ampliação dos limites dessa linha para o mês de novembro.

O destaque da expansão hidráulica no Sistema foi a entrada em operação comercial da unidade geradora de número 16 da usina de Belo Monte com incremento no SIN de 611 MW. Em relação a expansão térmica, a maior diferença em relação ao último PMO foi o aumento de 39 MW na potência da usina térmica de GNA I.

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