Mercado vê capitalização como forma mais simples de privatizar Eletrobras

07/01/19

Analistas apontam que desmembramento e venda de empresas da estatal separadamente seria mais trabalhoso e demorado; novo governo sinaliza que deve seguir com PL da gestão anterior

O mercado considera o processo de capitalização da Eletrobras como a forma mais simples de privatizar a estatal. Para analistas, mesmo que o governo consiga aprovar o projeto de lei sobre o tema no 1º semestre, a recuperação financeira da companhia deve acontecer só no longo prazo. “A discussão é se o modelo ideal é capitalizar a Eletrobras ou desmembrar seus ativos. Acredito que a segunda opção seria mais trabalhosa e levaria mais tempo”, avalia o presidente da Comerc, Cristopher Vlavianos.

Na última quarta-feira (02), o novo ministro de Minas e Energia (MME), almirante Bento Albuquerque, declarou que o presidente Jair Bolsonaro irá prosseguir com a proposta de capitalização da Eletrobras apresentada no governo de Michel Temer. A fala causou uma valorização de 20% das ações da companhia na Bolsa de Valores (B3). O PL 9463/2018 prevê a redução da participação da União sobre o capital da empresa, por meio da subscrição pública de ações na bolsa. “O modelo seria abrir a empresa para novos sócios e o governo se tornaria minoritário, passando de 60% de participação para 40% ou menos”, explica Vlavianos. “A Eletrobras voltaria a investir sem ter um dono.” O projeto prevê a limitação do poder de voto dos acionistas com maior participação a 10% e uma golden share a União, que garante veto em casos de liquidação e alterações de estatuto social, entre outros. Também está prevista a manutenção do controle do governo sobre Itaipu Binacional e Eletronuclear.

Vlavianos acredita ser importante o governo aproveitar o momento de maior capital político e apoio popular para aprovar a matéria no Congresso. “O receio que existia no ano passado, de que esses processos poderiam prejudicar a reeleição de parlamentares, é bastante amenizado no começo de um novo mandato”, aponta. “Seria ideal aprovar nos primeiros seis meses de governo. Se demorar muito, deteriora mais a situação financeira da Eletrobras”, alerta o executivo.

A analista de mercado da Safira Energia, Juliana Hornink, destaca que caso não ocorra a aprovação do PL, a Eletrobras não teria poder de investimento para manter seu atual patamar. “Para a empresa manter sua participação no setor, seriam necessários R$ 80 bilhões em aportes do governo nos próximos 10 anos.” Juliana também assinala que quanto antes o projeto for aprovado, melhor para o consumidor. “Depende muito da Câmara Federal, mas seria interessante aprovar, porque tudo está caindo na conta do consumidor”, pontua.

Para os especialistas, mesmo com a aprovação ainda no 1º semestre, a trajetória de recuperação é de longo prazo. “O primeiro impacto é nas ações das empresas, mas depois tem que tomar um rumo de investimentos, valorizando ativos e com um crescimento sustentável”, conta Vlavianos.

Para efeito de comparação, Juliana relembra que as distribuidoras da Eletrobras, que foram leiloadas em 2018, foram vendidas por preços simbólicos e os compradores tiveram que garantir investimento alto, devido à situação de endividamento das empresas. “É um processo de longo prazo antes que ocorra algum tipo de retorno para os investidores.” Continuidade

A diretora da Thymos Energia, Thais Prandini, classifica como positiva a manutenção de Wilson Ferreira Jr. na presidência executiva da Eletrobras. “Ele vem tendo um grande êxito. A companhia passou por uma reestruturação muito importante nos últimos dois anos.” Na quarta-feira (02), Ferreira declarou ter sido convidado pelo ministro Bento Albuquerque e aceitou continuar no comando da estatal. Vlavianos aponta que a gestão da Eletrobras realizou um trabalho importante de saneamento da situação financeira da empresa. “Ele reduziu o quadro de funcionários e privatizou as distribuidoras. A continuidade do Wilson é importante, seria um quadro difícil de substituir.” Thais destaca a importância da venda das distribuidoras, mas ressalta que a situação ainda é difícil para a Eletrobras. “A companhia teve que injetar dinheiro para vender essas empresas e aumentou sua dívida. O balanço mostra que a maioria das empresas da Eletrobras trabalha para melhorar suas condições.”

Fonte: DCI

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