Leilão de energia deve ter baixa demanda

27/06/19

O leilão de novos projetos de geração de energia renovável previsto para acontecer amanhã deve ter uma demanda relativamente baixa, devido à frustração das expectativas sobre o desempenho da economia do país. A competição, por sua vez, deve ser intensa, levando em conta o alto volume de projetos cadastrados, somando 51,2 mil megawatts (MW). Especialistas ouvidos pelo Valor estimam que a contratação seja em média de 500 MW no certame, ou seja, 1% dos que estarão na disputa.
“Estamos prevendo a contratação de 150 MW médios a 200 MW médios”, disse Thais Prandini, diretora da Thymos Energia. A capacidade relacionada a essa garantia física depende do mix de fontes contratadas. A especialista aposta na contratação de projetos de eólica e solar, com predomínio desta última, o que daria algo entre 500 MW e 600 MW de potêncial.
No leilão de amanhã, que será do tipo A-4, serão contratados empreendimentos de geração com entrega prevista para 2023. Poderão participar as fontes eólica, solar fotovoltaica, termelétricas a biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). A demanda no certame não pode ser controlada pelo governo, uma vez que depende das declarações de necessidade. Como o consumo de energia nas concessionárias é atrelado ao desempenho da economia, a tendência é que elas sejam conservadoras e esse seja mais um leilão frustrado em termos de volume.
Com isso, os preços devem cair, principalmente no caso da fonte eólica, que deve ter uma demanda menor direcionada pelo governo. Segundo Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), um dos motivos pela qual o leilão deve contratar mais projetos solar é o fato de que a fonte foi excluída do A-6 realizado em 2017, que também contratou geração para 2023.
Sauaia lembrou que, de acordo com o planejamento do governo para a matriz energética brasileira, há a previsão de entrada de mil MW de potência da fonte solar fotovoltaica em 2023, sendo que não houve contratação feita até o momento. “Para concluir esse planejamento, esperamos que a participação da fonte no leilão seja representativa”, disse.
De um lado, a grande oferta e a evolução tecnológica devem ajudar a pressionar para baixo o preço da energia solar no leilão. O câmbio, contudo, pode limitar esse efeito. Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil, destacou ainda uma mudança no edital referente à fonte solar: agora, os contratos serão por “quantidade”, e não mais “disponibilidade”, como era até então. Com isso, explicou, o empreendedor assume o risco de geração das usinas.
Na opinião do grupo Safira Energia, especializado em comercialização de energia, a mudança no modelo dos contratos dos projetos de energia solar, apesar de aumentar o risco para o empreendedor, não deve trazer grande variação de preço nos lances dados pelos investidores. “Esta mudança contratual é natural e ocorre na esteira do que já aconteceu para a eólica no passado. Desta forma, haverá uma ampliação no risco de curto prazo para o empreendedor, uma vez que ele terá que recompor lastro em caso de geração inferior à energia contratada em um dado mês”, afirmou, Robson Galiano, diretor da Safira Capital, em nota.
Na avaliação da KPMG, a aposta de demanda baixa também vale para o leilão A-6 previsto para outubro, que contratará empreendimentos para 2025. “Não haverá mudança nessa curva”, afirmou Paulo Guilherme Coimbra, sócio da consultoria. Devido a esse cenário, o especialista prevê que nos leilões deste ano as empresas repitam a estratégia de negociar parte da energia de seus empreendimentos, deixando descontratada uma parcela para negociar no mercado livre, a preços mais atrativos.
Isso foi feito nos leilões recentes principalmente com a fonte eólica. A ideia é vender uma parcela pequena da garantia física dos empreendimentos para assegurar o acesso à conexão na rede de transmissão da energia. O restante da energia é vendida no mercado livre, a preços mais competitivos. Segundo Thais Prandini, se a estratégia for mantida, a fonte eólica pode ter preços ainda mais baixos no leilão de amanhã, mas estes não serão referência para o produto.
Projetos de geração solar terão como preço máximo R$ 276 por megawatt-hora (MWh). Para eólicas, o teto é de R$ 208 o MWh. Termelétricas a biomassa têm o preço teto mais alto – R$ 311 o MWh. Hidrelétricas, por sua vez, terão como máximo R$ 288 por MWh.

Fonte: Valor Econômico

Deixe aqui o seu comentário