Investimento em tecnologia pode alavancar tarifa branca

17/01/19

Unidades consumidoras faturadas na modalidade pelas distribuidoras chegou a 3.082 em novembro, segundo Aneel

Após quase dois anos desde sua aprovação, em 2016, a adesão de consumidores à tarifa branca ainda não decolou. Até novembro do ano passado, o número de unidades consumidoras faturadas na tarifa pelas distribuidoras chegou a 3.082, segundo dados da Aneel.

A Enel São Paulo (ex-Eletropaulo) foi a que mais registrou pedidos no país, com 544 solicitações. No Nordeste, a distribuidora que mais registrou adesões foi a Enel Ceará, com 334 solicitações. Já na região Norte, a Celpa registrou 112 adesões à tarifa branca. No Centro-Oeste, 121 unidades consumidoras da Enel Goiás solicitaram a mudança. No Sul, a RGE registrou 92 solicitações de adesão à tarifa branca.

Segundo Franceli Jodas, sócia-líder de Power & Utilities da KPMG no Brasil, a baixa adesão à tarifa branca envolve uma questão cultural, além de que os consumidores precisam de mais informações sobre o novo modelo de tarifa para tomar uma decisão. “Para o consumidor, é muito trabalho, pois não há tecnologia automatizada. Precisa de um incentivo muito grande para as pessoas migrarem nesse momento”, explica.

Entretanto, ressalta, as distribuidoras já estão se movimentando em relação ao processo tecnológico, o que será fundamental para mais adesões ao novo modelo de tarifa. Isto porque, a partir do momento em que o consumidor tem o controle de seu histórico, ele poderá optar por migrar para a modalidade, pois terá condições de fazer projeções.

Para Juliana Hornink, analista de Mercado da Safira Energia, a tarifa branca pode ser analisada como um modelo que torna o consumidor mais protagonista, a partir do momento em que ele tem liberdade de escolha. “Pode-se dizer que é um início, pois o consumidor, com a tarifa branca, tem liberdade de alguma decisão e pode ter algum artifício para mexer nos valores da conta. Com a tarifa convencional, ele tem um único preço e o que ele pode fazer para economizar é reduzir o consumo” observa.

Em relação às expectativas geradas sobre o novo modelo de tarifa, Franceli Jodas acredita que as previsões do mercado são sempre mais altas do que realmente acontece, citando experiências nos mercados de países europeus em que a migração é menor do que o esperado no início. “Como o consumidor não está muito acostumado com isso (nova modalidade de tarifa), ele acaba não migrando. Então, é muito natural o mercado ter uma expectativa maior”, analisa.

Diante desse cenário de novidade para o consumidor, a Aneel preferiu por não estabelecer meta de migração, apenas oferecer aos consumidores uma nova opção tarifária. Por outro lado, a agência reguladora ressalta que a tarifa branca é um dos vetores para o início da substituição do atual parque de medidores por medidores inteligentes.

Desde o primeiro dia de 2019, clientes com consumo superior a 250 kWh/mês (cerca de 15,9 milhões de unidades consumidoras) já podem aderir à tarifa branca, o que permite que o consumidor pague valores diferentes em função da hora e do dia da semana em que consome a energia elétrica. A partir de 2020, a modalidade estará disponível para todas as unidades consumidoras, exceto consumidores residenciais classificados como baixa renda, beneficiários de descontos previstos em lei, e à iluminação pública.

Fonte: Brasil Energia

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