Expansão do mercado spot para beneficiar as geradoras de energia brasileiras no 2º semestre de 2019

14/01/19

Considerações estratégicas: os geradores de energia brasileiros se beneficiarão de uma mudança aprovada durante os últimos dias do mandato presidencial de Michel Temer. O novo regulamento permitirá que clientes de médio porte com consumo acima de 2.500 KWh comprem eletricidade de qualquer mercado sem restrições, a partir de 1 de julho de 2019. Anteriormente, apenas os consumidores com demanda superior a 3.000 kWh poderiam comprar no mercado livre sem restrições. Melhorias no desempenho financeiro e o número de clientes serão vistos apenas no 2º semestre de 2019, mas as empresas já estão buscando fechar novos contratos.

  • A mudança é considerada um passo inicial para a abertura gradual do mercado de energia do Brasil.
  • Distribuidores enfrentarão concorrência por geradores no segmento de médio porte.

Empresas brasileiras produtoras de energia, terão mais clientes e maior fluxo de caixa no 2º semestre de 2019, graças a um novo regulamento que permite aos consumidores médios comprar eletricidade de qualquer fonte no mercado livre, pela primeira vez, disse o analista de crédito e consultor. Empresas que podem se benificiar incluem Copel, AES Tietê e Engie Brasil, disse o analista de crédito.

Em 28 de dezembro de 2018, o Diário Oficial publicou uma portaria do Ministério de Minas e Energias, que reduz o nível de eletricidade vendida no mercado spot para um nível igual ou maior que 2.500 kWh a partir de 1º de julho de 2019. O mínimo atual é de 3.000 kWh, conforme informações no site da ANEEL. A mudança no mercado spot dará mais flexibilidade ao setor, disse Andre Cruz, diretor de regulação da consultoria Safira Energia. Consumidores que contratam entre 500 kWh e 2.999 kWh, classificados como de tamanho médio, só podem comprar eletricidade de fontes renováveis ​​no mercado spot – tais como pequenas centrais hidrelétricas, energia térmica a partir de biomassa, eólica, solar, e biogás, todos os quais são mais caros que a eletricidade de fontes não renováveis. No mercado de energia regulado do Brasil, os geradores podem vender energia aos distribuidores via leilões, nos quais os preços são determinados pela ANEEL. Este mercado representa cerca de 75% de energia vendida no país, de acordo com um relatório da agência de classificação temperamental. Enquanto isso, no mercado livre, os geradores podem assinar contratos bilaterais com grandes clientes, normalmente empresas comerciais ou grandes indústrias, dando aos compradores mais liberdade para negociar preços, volumes, e até mesmo o cronograma do fornecimento de eletricidade.
A ANEEL e o Ministério de Minas e Energias estavam estudando a proposta no ano passado, e inicialmente a administração de Jair Bolsonaro era esperada para aprová-lo, mas a medida foi surpreendentemente promulgada no final do mandato de Michel Temer, disse o analista de crédito. “Pode não ser uma mudança realmente considerável, mas será o primeiro passo para uma liberalização do mercado de energia”, disse Cruz. Tal mudança trará novos jogadores para o mercado spot e estimulará mudanças em como a eletricidade é vendida, ele adicionou. Os produtores de energia divulgarão maior receita a partir da mudança, que acontecerá apenas a partir de agosto, mas como a nova regra já foi publicada, eles estão olhando para verificar quais consumidores poderiam ser interessados, iniciar negociações com eles, e assinar contratos programados para começar em julho, disse Cruz.
A ideia é afrouxar as regulamentações gradualmente com a concorrência, melhorando a qualidade do serviço e impulsionando a liquidez no mercado de curto prazo, disse o analista de crédito, que acredita que vender diretamente para o consumidor será muito positivo para geradores.
Os distribuidores de energia, por outro lado, provavelmente serão atingidos pela mudança, pois com mais concorrência pelo poder, disse o analista de crédito. Isso é particularmente verdadeiro porque quando um consumidor compra energia dos distribuidores, uma série de impostos é incluída a tarifa, tais como impostos para transmissão, enquanto no mercado livre há menos impostos, acrescenta o analista. O governo terá que resolver esse problema enfrentado pelos distribuidores, se ele realmente pretende para abrir gradualmente o mercado de eletricidade, disse um segundo analista de crédito e consultor.

Fonte: Redd LatAM

Deixe aqui o seu comentário