El Niño: Entendendo os impactos deste fenômeno para o setor elétrico.

03/08/18

De acordo com a avaliação meteorológica dos especialistas da Safira Energia, nos próximos meses existe possibilidade de 70% da ocorrência do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico, influenciando a circulação atmosférica gerando impacto meteorológico. Este fenômeno influencia tanto com relação a temperatura como a precipitação. Com relação à temperatura, o impacto é de anomalias positivas na região Sudeste, o que pode gerar um aumento de consumo de energia. Já quanto à precipitação, de maior interesse para o setor elétrico, o El Niño causa diminuição de chuvas nas regiões Norte e Nordeste, e chuvas acima da média na região Sul.

Com a ocorrência do El Niño e considerando a situação hidrológica atual do SIN, recai uma preocupação sobre o nível de armazenamento dos reservatórios das hidrelétricas. Os principais reservatórios do SIN estão situados no subsistema Sudeste, nas bacias do Grande e Paranaíba. Não existe uma influência direta na anomalia de chuvas neste submercado, na presença de um El Niño, no entanto, indiretamente a qualidade dessa chuva pode ficar prejudicada devido a projeção de mais chuvas no subsistema Sul, diminuindo a quantidade de eventos que ajudam a melhorar o nível dos reservatórios no Sudeste.

O principal fenômeno meteorológico do período chuvoso, a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que melhora os níveis dos reservatórios por causar mais chuvas prolongadas, fica prejudicado com a presença do El Niño. Com a diminuição das ZCAS, abre-se espaço para as chuvas de verão, conhecidas por temporais rápidos, sucedidos por tempo ensolarado.  Com essa situação, não há tempo suficiente para recuperar a umidade do solo e encher os principais reservatórios das regiões do SIN.

Apesar de uma perspectiva de chuvas acima da média no subsistema Sul, não se pode dizer que haverá uma recuperação dos níveis de geração da região, pois as usinas dali são, em sua maior parte, de fio d’agua, ou seja, reservatórios com baixa capacidade de armazenamento e que são obrigados a verter caso a capacidade máxima de geração seja atingida.

Para a região Nordeste, o El Niño traz impactos diretos no que diz respeito a precipitação. Associando isso ao fato de a bacia que atende as usinas da região, ter sua nascente na região sudeste (Bacia do São Francisco), que pode ter regime de chuvas menores em função do fenômeno, pode-se dizer que há possibilidade de diminuição dos reservatórios em caso de menores chuvas nos Estados de Minas e Bahia.

Já na região Norte, a falta de chuvas pode ter impacto maior para os reservatórios da região, principalmente Tucuruí e Belo Monte. Não é esperado um comportamento de El Niño como o dos anos de 2015 e 2016, em que esta usina não verteu em pleno período úmido. No entanto, pode-se dizer que há expectativa de diminuição da geração para este submercado.

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