El Niño – Últimas Informações Sobre o Fenômeno

12/08/19

Como temos acompanhado, o El Niño Oscilação Sul (ENOS) possui grande influência no padrão de chuvas no Brasil e, consequentemente, no setor elétrico. A fase positiva deste fenômeno (chamada El Niño) é caracterizada pelo aquecimento das águas equatoriais da superfície do Oceano Pacífico Central (região 3.4), já a fase negativa (La Niña) é caracterizada pelo resfriamento. Desde o início do ano estávamos sob efeitos da fase positiva, que iniciou em setembro de 2018, mas o resfriamento gradual do Pacífico Equatorial no último mês configurou neutralidade do ENOS, ou seja, o El Niño acabou.

No relatório de julho da agência norte-americana NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), as Temperaturas da Superfície do Mar (TSM) ficaram cerca de 0,6 °C acima da média no Pacífico Central, apenas 0,1 °C acima do limite mínimo para configuração do fenômeno. No relatório mais recente, a TSM apresentada continua em queda, registrando anomalia positiva de 0,5 °C no Pacífico Central e -0,5 °C no Pacífico Leste. É importante ressaltar que a região do Pacífico Leste (região 1.2), cuja variação de temperatura impacta rapidamente na resposta atmosférica na região Sul do Brasil, tem registrado temperaturas abaixo da média desde junho.

Em tese, a neutralidade do fenômeno ENOS implica em precipitação próxima da média, mas é necessário acompanhar as variações do Pacífico Leste que influencia no posicionamento das chuvas no Sistema Interligado, além de outros fenômenos que começam a ter mais impacto na primavera e verão. De maneira geral, os modelos estimam que nos próximos meses devem ocorrer chuvas mais próximas da média no Sul, já que as frentes frias devem passar mais rapidamente por este submercado.

No início da primavera do Sudeste, as projeções indicam que as frentes frias que passarem pelo Sul, tendem a ter atuação principalmente no litoral, sem impactar significativamente nas bacias deste submercado. Visto isto, o panorama atual indica baixa expectativa de chuva na transição para o verão, sem antecipação do período úmido como foi verificado no ano passado. Para o setor elétrico, a geração hidráulica pode ser prejudicada, mas em contrapartida ainda são meses de produção de biomassa e destaque na geração eólica.

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