El Niño – Ultimas Informações Sobre o Fenômeno

17/05/19

Como temos acompanhado nos últimos meses, o El Niño está configurado e tem influenciado nos regimes de chuva e temperatura em todo o mundo. De maneira geral, este fenômeno é caraterizado por anomalia positiva de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) acima de 0,5 °C no Oceano Pacífico Equatorial Central (região 3.4), que interage com a atmosfera desintensificando os ventos equatoriais e, consequentemente, mudando a circulação. Quando todo o Pacífico Equatorial está aquecido, chamamos de El Niño Clássico ou Canônico, mas quando a TSM do Pacífico Equatorial Leste (região 1.2) está próxima da média ou com anomalia oposta ao 3.4, o chamamos de Modoki e temos efeitos diferentes no padrão de chuva.
No Brasil em meses de El Niño Canônico, a tendência é de diminuição das chuvas no Norte e aumento no Sul, o que não é positivo no setor elétrico durante o verão, já que o transporte de umidade do Norte para o Sudeste é prejudicado e inibe a formação de Zonas de Convergência, assim desfavorece o armazenamento dos maiores reservatórios do Sistema Interligado. Já no inverno, caso atual, como os maiores volumes de chuva climatologicamente ocorrem no Sul, esta configuração favorece o setor elétrico, com a Energia Natural Afluente (ENA) deste submercado ficando bem acima da média histórica. Embora já tenha sido percebido impacto do fenômeno nos padrões de chuva nos últimos meses, a influência dele teve ainda mais destaque na semana passada, cujos sistemas frontais ficaram mais restritos ao Sul e a ENA superior aos 100% neste submercado.
De acordo com o relatório mais recente da agência americana NOAA, Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, o fenômeno continua caracterizado e com fraca intensidade, já que no último mês os ventos equatoriais se desintensificaram e as anomalias positivas de TSM se mantiveram por volta de 0,8 °C, tendendo a continuar positiva por alguns meses. As projeções mais recentes indicam valores do 1.2 próximos de zero, então a expectativa nos próximos meses é de menor influência na chuva do Brasil, quando os maiores acumulados ficam não só no Sul e bacias do Paranapanema e Paraná, localizadas no submercado Sudeste, mas também entre a Argentina e Uruguai. Além disto, os níveis mais profundos do Oceano Pacífico Equatorial mostram águas mais geladas, que tendem a diminuir a TSM também da região 3.4.

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