El Niño – Ultimas Informações Sobre o Fenômeno

06/05/19

O fenômeno denominado El Niño Oscilação Sul (ENOS) possui efeitos em todo mundo, tendo seus impactos conhecidos sobre o padrão de precipitação e temperatura na América do Sul. Este fenômeno é caracterizado por alteração na temperatura da superfície no mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial e na circulação desta mesma região, que se propaga para o restante do globo. O fenômeno é denominado El Niño quando as águas superficiais do mar encontram-se aquecidas (anomalia positiva acima de 0,5°C), e neste caso é observada chuva acima da média no Sul e abaixo do média da região Norte do Brasil. No caso da La Niña as águas ficam mais frias, -0,5°C abaixo da climatologia, e o padrão de precipitação oposto é observado, com chuvas abaixo da média no Sul e acima da média no Norte.
Para definir este fenômeno são utilizadas as TSMs do Pacífico Equatorial Central, região denominada como 3.4, mas o aquecimento no Pacífico Equatorial Leste, denominada 1.2, também influencia no padrão de chuva no Brasil. As características destas regiões são diferentes, então anomalias de TSM podem ter amplitudes diferentes e sinal, em alguns casos, opostos. Por esta razão, os eventos foram denominados clássicos ou canônicos, quando apresentam a mesma fase, ou seja, mesma tendência, e Modoki, quando apresentam anomalias de sinal contrário. Em anos de Modoki, sendo El Niño ou La Niña, geralmente os impactos do fenômeno são amenizados, de forma que a chuva não fica concentrada na mesma região por meses consecutivos.
Desde o ano passado tem sido observada anomalia positiva de TSM na região 3.4, com valores por volta de + 0,7°C no último trimestre, o que caracteriza um fenômeno fraco. Nos últimos meses, a expectativa para a região 1.2 era se manter aquecida, entretanto não conseguiu, ficando abaixo de + 0,5°C e chegando a valores negativos em alguns momentos. As rodadas mais recentes dos modelos estimam para os próximos meses queda das anomalias de TSM, com valores próximos de zero na região 1.2. Por esta razão, em maio ainda deve-se manter resposta atmosférica de chuvas acima da média no Sul, com padrão enfraquecendo nos meses posteriores. Assim, as chuvas acima da média devem alternar a cada mês entre a Argentina, Uruguai, Sul e Sudeste do Brasil, sem sobrecarga em nenhuma delas.
Este fenômeno tende a interferir na produção de energia não só hidrelétrica, como também na geração bioenergética a partir de cana-de-açúcar. Estas fontes de energia são complementares, já que a colheita tem seu início em meados de abril e termina entre setembro e outubro, justamente o período mais seco, quando há baixa disponibilidade de chuvas para recomposição dos reservatórios e consequente diminuição da geração hidrelétrica no Sudeste/Centro-Oeste. Grande parte das usinas de açúcar e álcool do Brasil encontram-se no submercado Sudeste/Centro-Oeste (Figura 1).

Figura 1 – Mapa da produção de cana-de-açúcar. Fonte: NIPE-Unicamp, IBGE e CTC
Dadas as perspectivas de El Niño para os próximos meses, espera-se contribuição do padrão de chuva com a geração hidrelétrica no Sul do país, mas no Sudeste a alternância de chuvas intensas não deve contribuir muito com os reservatórios. Para a produção bioenergética, a ocorrência de chuvas pode favorecer o crescimento da cana-de-açúcar, mas em contra partida é prejudicial à colheita, que geralmente é feita com máquinas. Então o padrão de alternância das chuvas deve interferir por pequeno período na colheita, o que tende a favorecer a geração de energia bioenergética.

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