Concessionárias terão um novo papel mais focado no fio e na prestação de serviços aos consumidores

02/08/18

A abertura do mercado de energia elétrica é um dos pilares centrais da proposta de reforma e modernização do setor elétrico, permitindo que, até em última instância, os consumidores residenciais ingressem no mercado livre de energia e escolham o próprio fornecedor de eletricidade. O tema, que está mais fortemente em pauta agora em 2018, representa um quebra de paradigma para as distribuidoras, segundo a Safira Energia, uma das principais comercializadoras de energia e consultoria do setor, pois estas concessionárias terão um novo papel no mercado.

Com a expansão do mercado livre, haverá impacto na atuação das distribuidoras, pois, aos poucos, e respeitando um cronograma de migração para o mercado livre, elas deixarão de ser compradoras de energia por meio de leilões e poderão focar suas atividades na infraestrutura das redes de distribuição e na prestação de serviços aos consumidores”, afirma o diretor-executivo da Safira Energia, Mikio Kawai Junior.

Na Europa, onde diversos mercados de energia já foram abertos, há exemplos de distribuidoras que atuam não só oferecendo eletricidade, mas também gás natural, internet e até recarga para veículos elétricos, entre outros serviços.

Pensando em um cenário de expansão da GD (Geração Distribuída) com energia solar, tal modelo seria um aliado das distribuidoras, que poderiam fornecer um serviço de seguro de energia, a fim de complementar a oferta de energia para os consumidores em necessidades pontuais.

Também reduziria os gastos com expansão da rede de fios e perdas com o transporte de energia de longas distâncias, permitindo que os investimentos se concentrassem em redes inteligentes e em novas tecnologias.

“O negócio das distribuidoras não ficará restrito ao fio, pois a partir do momento em que a geração distribuída começar a funcionar com maior amplitude, os distribuidores começarão a garantir a qualidade da energia, e a contribuir com a gestão de consumo do cliente, promovendo sistemas e serviços de medição. As incertezas ainda são muitas, mas é já possível imaginar consumidores comprando sua energia e serviços diretamente, por meio de aplicativos”, explica Kawai Junior.

Deixe aqui o seu comentário